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Supervão inaugura noite vanguardista em POA

cordarecords
18 de mar. de 2017
3 min de leitura

Atualizado: 4 de nov. de 2021


Texto: Christian Locatelli

Na sexta, 10, o Bar Ocidente abriu as portas no formato de pub para iniciar uma nova proposta de noite em Porto Alegre, trazendo artistas vanguardistas da cidade para se expressarem e mostrarem suas ideias num formato de pocket show, com entrada franca das 18h às 20h. A banda convidada para inaugurar esse formato foi a Supervão, composta por Mario Arruda (voz, programações e sintetizadores), Leonardo Serafini (guitarra) e Ricardo Giacomoni (baixo), idealizadores do selo fonográfico Lezma Records. O evento também contou com intervenção poética do artista caxiense Guilherme Brandalise, do Vomitório, que escreveu suas palavras nas paredes e expôs Zines.

Quem não conhece a Supervão pode sentir falta, à primeira vista, da bateria no palco, mas basta começar o som que o espectador logo percebe que o beat é o coração da Supervão e que não falta nenhum instrumento para que a atmosfera seja construída e o recado seja passado. Começando com “Vitória Pós-Humana”, primeira faixa do EP Lua Degradê (2016), o grupo começa a edificar a sua textura no ambiente, invocando fluidez numa forma etérea e, antes de tocar a segunda música no show, Cadilac Olodum, Mario diz que a banda vai “começar devagar e ir fritando”, dando contexto para o verso que vem logo em seguida “vou te levar pra passear, vou te levar pra sambar na velô de você, na velô de você…”.


Além de tocar outras do Lua Degradê, a Supervão apresentou Tempo e indicou um pouco do que está por vir no próximo EP, a ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano, mostrando, também, uma diversidade na formação da banda: Ricardo e Mario vão para as guitarras e Leonardo para os controladores. Parafraseando Mario, Tempo fala sobre reencontrar perspectivas no futuro, ou o sentimento de falta delas, além de deixar as barreiras caírem com a simples ideia de querer encontrar um motivo para se juntar com os outros, deixando rolar, em tempos de intolerância. O som embala num beat constante e texturizado com temperos de sintetizadores, dando a impressão que se está em movimento, como que viajando num ônibus de luz dentro de um túnel-fenda no espaço e presenciando um passeio de cores e sabores à nossa volta.

Com a atmosfera construída e sentimentos aquecidos, Mario propõe de coração aberto “vamos fritar?” enquanto desce do palco e se mistura com a pista para cantar Crise de forma entregue e performática, onde gritos anunciam de onde a energia vem e para onde ela vai. Talvez, no fundo todos somos loucura. Ou pelo menos queremos ser. Com Mario ainda na pista, Degradê faz seguir o show e diz “Inapropriados, Inapropriados”, mostrando dinâmica no trem-supervãozístico.

Lua em Gêmeos e Reunião dão final ao setlist, trazendo força ritualística no embalo do surdo posicionado à frente de Mario, tocado de forma entregue e transcendente. Entrega é uma boa palavra para a apresentação. A banda ainda tocou um bis, Julia e Teresa, faixa ainda não lançada e uma possível integrante de um futuro disco, que traz suavidade e um beat um pouco mais lento, como que dizendo “até mais galera, tamo junto” guiando por um caminho encantado e nebuloso, místico de uma forma intrigante e ao mesmo tempo um vício por querer se aproximar mais dessas melodias que parecem surgir de um lugar muito distante no espaço.


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